sexta-feira, 9 de março de 2012

A mente iluminada




P. Não teremos também nesta questão da perfeição a questão da lei kármica atuando de que, por exemplo, não somos nós, mas alguém que morreu, alguém que está ali, que está sofrendo em função de um karma, que matou, gerou um karma, que vai para algum lugar...

M. Genshô: Do ponto de vista relativo você tem razão, do ponto de vista absoluto você é a vítima do terrorista e você é o terrorista porque dentro de nós existem estas condições kármicas, nós estamos neste mundo, você poderia ter sido um terrorista se tivesse sido criado para isto, você poderia ser uma vítima, na verdade ninguém neste mundo é inocente destes crimes... Porque, na verdade, tudo isto são atos das bolhas que somos nós, lembrem da imagem das bolhas dentro da garrafa, na verdade é perfeito porque tudo era gás carbônico e nós só estamos vendo as bolhas que surgem e desaparecem...

P Mas não é perfeito como um processo em evolução?

R. Não é uma questão de evolução, ele só não é perfeito porque nós estamos aqui olhando e daí nós construímos o samsara com a nossa visão, este mesmo samsara que nós estamos olhando, este mundo de ilusões e sofrimento é o nirvana, se a nossa mente muda é o nirvana, por que é o samsara? Porque você está sonhando e é um sonho mau, mas na verdade não há este sonho mau se você acorda, e por isso é iluminação, por isso que já disse uma vez... iluminação é você receber a notícia – seu filho morreu, e você dizer: ah, está bem, porque sabe que esta morte é ilusória, aí é iluminação completa.

P. Eu sinto que eu tenho muito para pensar.

R. Na realidade este ensinamento é muito complexo, a gente só ensina assim no Zen, em qualquer escola Buddhista você vai devagar passo a passo, é no Zen que a gente diz estas coisas assim de repente e o aluno tem que ficar pensando...

Então nós estávamos falando sobre a dúvida – daigidan, então nossa fé profunda nos diz uma coisa e a nossa mente, o mundo que nós olhamos parece imperfeito, cheio de ansiedade , conflito e sofrimento e a nossa fé nos diz que a verdade é o oposto, Buddha está dizendo: não a verdade é o oposto, a verdade é o que você vê naqueles lampejos sentado na almofada, aqueles momentos claros em que tudo é lindo, perfeito, são manifestações da mente iluminada, lampejos da mente iluminada, imagine que você tivesse uma mente que fosse assim todo o tempo, sem passado, sem futuro, consciente do momento presente vivendo tudo perfeito, então seria uma mente iluminada...

Postado por Monge Genshô às 08:43


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