quarta-feira, 21 de julho de 2010

RESPIRAÇÃO E ENERGIA



A RESPIRAÇÃO


“Aprender é descobrir aquilo que você
já sabe. Fazer é demonstrar que você o
sabe”.
RICHARD BACH
3.1. INTRODUÇÃO
Diz a literatura esotérica que, o universo tem um ritmo próprio, forjado em
ciclos de opostos, yin – yang, sol – lua, homem – mulher, dia – noite, inverno – verão,
tique – taque (do coração), inspiração – expiração. Os ensinamentos também se referem a
um tempo mais lento, para alcançar equilíbrio interior.
Na prática não oculta, não esotérica, podemos confirmar que um atleta bem
preparado fisicamente tem sua pulsação cardíaca bem abaixo da população normal. Enquanto
se aceita que uma pessoa que não pratique exercícios regularmente tenha 80 batimentos
cardíacos por minuto (em repouso), um atleta em repouso, às vezes, não precisa
ter mais do que 60 para sentir-se bem, satisfazendo-se até com menos. O mesmo aparece
em relação às necessidades de respiração. O número de incursões (inspiração – expiração)
que um atleta necessita, é bem menor do que o de um executivo, por exemplo.
Quanto melhor preparado estiver, menos precisará aumentar seu ritmo respiratório, além
do que, disporá de uma reserva para quando uma ação ou adversário exigir.
O controle respiratório não é importante apenas para a prática de esportes. Ele
pode fazer parte de todo um conjunto de atitudes que denotem uma maior harmonia pessoal.
Percebam que, quando estamos irados, totalmente descontrolados, temos uma aceleração,
tanto da ventilação quanto do ritmo cardíaco, respiramos mais rápido e temos taquicardia;
quando tendemos a nos acalmar, estes ritmos também tenderão a se normalizar;
quando recebemos um susto, o mesmo acontece e tendemos à aceleração. Assim, a
perda brusca ou continuada de nosso equilíbrio mental e emocional, nos leva a alterar
nossos ritmos, tendendo para uma repetição cíclica rápida.
Numerosas práticas orientais têm suas bases estabelecidas sobre o ato de bem
respirar. Como exemplo, poderíamos citar o Yoga (talvez a mais conhecida entre nós), o
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Tai Chi Chuan e o Shikun. Em várias artes marciais como, o Karate e o Aikido, a respiração
sob controle é requisito básico, mesmo para um faixa branca. Observando-se o kata
executado por um perito, se percebe a harmonia entre os movimentos do corpo e a sua
respiração.
3.2. PROCESSO DE RESPIRAÇÃO
A respiração é o mecanismo mediante o qual o nosso corpo apreende do ar o
oxigênio necessário para realizar as combustões metabólicas no funcionamento dos diversos
tecidos, servindo também para eliminar determinados produtos, especialmente gás
carbônico.
Do perfeito funcionamento e da correta mecânica deste processo vital dependerão
o maior ou menor rendimento do indivíduo, que será mais perceptível quanto maior
forem as necessidades orgânicas a que se submete o organismo. Portanto, quer na prática
desportiva quer no cotidiano é de capital importância que o indivíduo conheça e realize
corretamente todas as ações do mecanismo, permitindo-lhe conseguir um máximo rendimento.
Pode-se diferenciar, dentro do ato da respiração, uma fase inicial na qual se
introduz ar através das vias superiores até o pulmão (inspiração) e outra de saída do dito
ar uma vez utilizado (expiração). Esta ação mecânica se complementa com uma dupla
fase químico-metabólica de intercâmbio gasoso, uma ao nível do alvéolo pulmonar onde
as hematitas do sangue recebem oxigênio em troca de gás carbônico e a outra nos tecidos,
que fazem o processo inverso.
3.3. FORMAS DE RESPIRAÇÃO
Existem duas maneiras (naturais) de se colocar ar dentro dos pulmões:
Respiração torácica (barriga para dentro e peito para fora);
Respiração abdominal (uso do diafragma).
Observe uma criança pequena dormindo. Veja como sua barriquinha sobe e
desce, numa calma de fazer inveja. Essa é a respiração diafragmática ou abdominal. Agora
se lembre dessa mesma criança chorando ou assustada. Essa é a respiração torácica.
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Quando você enche o peito de ar, encolhendo a barriga, está usando apenas a
musculatura do tórax. Esse é o tipo de respiração de quem está fazendo um exercício físico
intenso ou está sob pressão. Nesse último caso, ocorre uma superficialização dos movimentos,
entrando menos ar, mas com um grande número de inspirações e expirações. O
resultado é acúmulo de ar viciado, pobre em oxigênio, além de tensão muscular. Já a respiração
diafragmática ocorre em situações de calma e, muito importante, é capaz de diminuir
a reação de alarme. O diafragma é o músculo que separa o abdômen do tórax e
pode ser controlado com um mínimo de atenção.
3.4. PRATICANDO A RESPIRAÇÃO
Num local calmo, em casa, passe a provocar a respiração diafragmática, da
seguinte maneira: deitado, coloque uma mão na barriga, logo acima do umbigo, e a outra
no peito. Inale muito lentamente, procurando fazer de sua barriga um balão expandindose.
A mão da barriga deve subir e a mão do tórax deve se mexer muito pouco. Respire
com muita calma, de maneira regular e suave, expire muito lentamente, mais ou menos
na mesma velocidade que inspirou. Deixe sair todo o ar e se possível, fique de um a dois
segundos parado antes de começar um novo ciclo.
Se pensamentos começarem a interromper sua concentração, você poderá
contar o tempo que está passando, como mil, dois mil, três mil, etc. sendo que cada um
desses números contado mentalmente equivale a aproximadamente um segundo. Outra
maneira é desenhar também na mente um círculo que se completa a cada ciclo de respiração,
imaginando metade na inspiração e metade na expiração. É possível que suas primeiras
experiências o deixem com alguma tontura. Não force o organismo, este não é um
desafio e muito menos uma competição, vá devagar e procure se adaptar aos poucos.
Quando estiver dominando a técnica você conseguirá desencadear a respiração
abdominal quando precisar. Passe a empregá-la em situações de tensão. Pode ser no
meio de uma aula (ninguém vai notar), meio minuto antes de fazer àquela prova importante,
no meio do trânsito (dentro do ônibus). Essa prática é facílima e sem querer você
não apenas irá melhorar sua concentração, mas também já começa a monitorar as situações
que o deixam mais tenso.
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A freqüência e o ritmo da respiração são regulados pela estimulação do centro
respiratório, aonde chegam mensagens por meio da distensão dos alvéolos pulmonares ou
sob a resultante do aumento de concentração de gás carbônico no sangue.
Quanto maior for o trabalho muscular, maior será a produção de gás carbônico
e maior o ritmo respiratório. A freqüência respiratória está situada em um adulto, em
condições de repouso, por volta de 15 ciclos por minuto e variará com a idade (40 no recém-
nascido, de 8 a 10 em pessoas treinadas, etc.).
O ritmo normal recebe o nome de eupneico (se acelerar torna-se taquipneico,
e se diminuir passa para bradipneico). A quantidade de ar que se mobiliza no interior dos
pulmões em respiração normal nunca é o total da sua capacidade, dado que sempre ficará
o chamado "ar residual", daí a necessidade de se procurar esvaziar e preencher os pulmões
totalmente durante os exercícios respiratórios.
3.5. RESPIRAÇÃO NA CONCENTRAÇÃO MENTAL
Tendo como base uma forma treinada de controle voluntário e consciente da
respiração, é possível conseguir um alto grau de concentração e isolamento mental. O
que, partindo de um estado de repouso físico, nos possibilita aprender a "ouvir e a ver por
dentro o nosso próprio corpo" e ao mesmo tempo em que nos familiarizamos com o seu
funcionamento.
Em grande medida, as mais avançadas formas de concentração mental aplicadas
ao treinamento desportivo empregam, em fases iniciais, diversas técnicas de respiração
abdominal combinada com auto-regulação de outros processos fisiológicos de capacitação
mental. Nas artes marciais, tais procedimentos metódicos podem ajudar a conseguir
um melhor conhecimento da nossa interioridade corporal, ou seja, conseguem-se uma
disposição maior para maximizar as capacidades mentais de concentração, relaxação, imaginação,
equilíbrio, e tantos outros.
Além disso, o adequado controle da respiração proporciona ao indivíduo um
aumento da capacidade vital, com uma melhor oxigenação celular com menos esforço,
logo um ritmo cardíaco muito menor com igualdade de esforço, com maior resistência à
fadiga e um mais rápido e melhor tempo de recuperação.
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ENERGIA

“O que se educa não é uma alma nem
um corpo... é um homem”.
MONTAIGNE
4.1. INTRODUÇÃO
No oriente fala-se de um tipo de energia que está presente em tudo à nossa
volta, ela influencia desde o mais simples ser ou coisa até os planetas. Tal força, que é
relacionada à essência do universo, envolve todas as entidades que nele existem e dá vida,
pois ela não fica estagnada em um lugar específico, mas se movimenta e como um rio
sempre é renovado. Ela possui muitos nomes:
CH’I – China;
KI – Japão;
PRANA – Índia.
4.2. ENERGIA INTERIOR
Qualquer um pode entrar numa academia e aprender a dar socos e chutes ou
pegar uma espada e dar cortes com ela, mas o difícil é a parte mental e espiritual que está
relacionada com a concentração de energia, porque na verdade o karate trabalha muito
com a parte interna e se a pessoa não estiver bem espiritualmente não conseguirá realizar
as técnicas com perfeição.
Embora o conceito de energia interior seja realmente indefinível como tudo
que rodeia a doutrina Zen, a existência universal de uma manifestação vital de energia foi
tema presente em todas as civilizações. E esta imagem talvez seja a que melhor se adapta,
podendo assim considerá-la sob a forma de "impulso vital universal".
Ante isto, os cartesianos raciocínios ocidentais, que raramente se conformam
com não definir, etiquetar ou comparar qualquer ato ou circunstância, ao confirmar a existência
do fato trataram de analisá-lo, unindo na explicação atuações físicas, psíquicas,
bioquímicas e inclusive astrais, que conformam uma complexa cadeia, após a qual pre-
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tende esclarecer essa especial "ânsia de viver", esse "impulso vital" que em circunstâncias
insólitas ou extremas aparece sem raciocínio científico válido.
O treinamento marcial tem por base o desenvolvimento interior através do exterior
(físico) e após este acontecer, o processo inverso tem início, isto é, o exterior se
desenvolve e expressa o interior. A expressão verbal da energia interior é conhecida como
Kiai.
4.2.1. KIAI
O kiai ou “grito de força” – KI: força e AI: grito – é uma energia que nasce a
partir do baixo ventre (saika tanden – aproximadamente cinco centímetros abaixo do umbigo).
Todos têm um grito de força, principalmente os grandes felinos. Geralmente, esses
animais paralisam suas presas com o seu kiai antes de atacá-las. O kiai pode ser aplicado
em três momentos:
No início de uma atividade;
Durante a realização desta tarefa;
Final de um trabalho.
Os gritos de guerra servem para aumentar, acelerar e expor a força de ação do
homem. Portanto, podem ser aplicados contra incêndios, vendavais e as fortes ondas marítimas
para criar coragem e energia para enfrentá-los.
Na luta individual, para colocar o adversário em movimento, o grito antecipa
seus golpes e, em seguida, pode se aplicar chutes e socos. Não é necessário utilizar o grito
simultaneamente com seus golpes. No decorrer da luta, ele servirá para incentivar e
colocar numa situação vantajosa, sendo forte e profundo.
Tomar precaução ao gritar, pois se o grito for usado fora de ritmo ou de tempo
ou em ocasiões impróprias poderá surgir como contra-efeito, tornando-se prejudicial.
No Japão há a prática do Kiai Do – caminho do grito da força – onde o praticante
chega a ter medo do próprio grito.
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4.3. ENERGIA EXTERIOR
Enquanto o kiai é a verbalização da energia interior, o Kime é a expressão física
(corporal) dessa fonte vital que num momento aflora do ser com pausada força irrefreável
ou com extraordinária violência.
A modo de exemplo comparativo poderíamos utilizar a energia vulcânica que
se manifesta quer através de manso rio de lava quer de violenta erupção, é em ambos caso
incontrolável.
No exercício das artes marciais e do karate em particular o termo kime, sinônimo
dessa erupção violenta, é utilizado para indicar a realização total e plena de uma
ação efetiva, com a que se trata de conseguir num dado momento uma execução técnica
na qual a união de concentração e poder transbordam ao adversário. Para isso é necessário
canalizar toda a energia, tanto física como mental, anulando a ação consciente dos
sentidos e do ambiente habitual, inibindo a afirmação do "eu" interno, e partindo para o
caminho do "não pensar" libertando a energia vital própria, mas concentrando-a num
momento dado de acordo com a atuação física.
4.4. ATITUDE MENTAL
Entende-se atitude mental como o estado de consciência que apresenta um ser
inteligente diante de qualquer situação concreta, podendo ser favorável ou contrária ou de
indiferença. Portanto, o indivíduo adotará ações de resposta direcionais que vão determinar
a sua linha de conduta perante os diferentes estímulos.
No exercício das artes marciais é fundamental, para compreender as diferentes
atitudes mentais que ocorrem, realizar uma espécie de divisão prévia das motivações
que provocam reações adversas e fora do normal em cada indivíduo. Isto posta, o treinamento
marcial pode ser direcionado para o desenvolvimento de atitudes mentais que beneficiem
o praticante quando se deparar com situações, cotidianas ou não, que possam
colocá-lo na defensiva ou sem ação.
O karate procura lapidar o espírito de seus praticantes através das agruras sofridas
pelo corpo durante os rigores de seu treinamento.
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